RADIO UTOPIA - live -

terça-feira, janeiro 03, 2006

Bono pôs em risco a própia banda

Em entrevista à BBC Radio 4, Bono confessou que o seu activismo político foi encarado com algumas reservas por parte dos seus companheiros de grupo, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. «Houve uma altura em que cheguei a pensar: "Vão expulsar-me da banda por causa disto"», afirmou o vocalista dos U2. Apesar de prestarem «enorme apoio espiritual e financeiro» às causas defendidas por Bono, entre as quais se encontram o perdão da dívida aos países do Terceiro Mundo e a luta global contra a pobreza, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. «fazem parte de uma banda rock 'n' roll e a primeira obrigação de uma banda rock 'n' roll é não ser chato», explica Bono. «As pessoas gozaram abertamente [comigo] e senti-me um peso às costas da banda, por fazer este tipo de trabalho», lamenta Bono, congratulando-se porém pela adesão do público dos U2 ao seu activismo. «As pessoas são espertas. Percebem o que fazemos, compreendem os compromissos que fazemos, apercebem-se das coisas. O nosso público sente que, através de mim, tem uma voz mais forte, e a banda também vê isso», expõe o músico. Em 2005, Bono encontrou-se com líderes políticos e envolveu-se no mega evento de solidariedade Live 8, aproveitando os concertos da Vertigo Tour para sensibilizar os espectadores para questões como a pobreza extrema. As iniciativas do irlandês valeram-lhe prémios como o de Personalidade do Ano para a revista Time, que elogiou o seu «esforço em fazer o bem, reestruturar a política e redesenhar a justiça», ou uma condecoração entregue pelo Presidente português, Jorge Sampaio, aquando da passagem da Vertigo Tour por Lisboa.